Eu sou da geração Millennial, ou seja, sou daquela leva que nasceu entre o início dos anos 1980 e primeira metade da década de 1990. Somos também chamados de Geração Y.
Quem é dessa época teve a chance, e o privilégio, de acompanhar na juventude a evolução acelerada das principais tecnologias usadas atualmente: internet, computadores, smartphones, etc.
Somos da última geração que precisou de soluções analógicas para resolver questões do dia a dia, como recorrer à lista telefônica (famosa por suas páginas amarelas), coleções de enciclopédias para responder perguntas sobre Ciências, História e outras disciplinas; além de esperar ansiosamente por transmissões de TV ou de rádio para conferir shows e entrevistas de nosso interesse.
Quando (mais) jovem, o mundo da tecnologia me fascinava. Um dos meus hobbies, inclusive, era criar sites em HTML, hospedar no Vila Bol (é o nooooovo!) e depois derrubar tudo para construir uma nova página do zero. Esse gosto, inclusive, se refletiu posteriormente na minha trajetória profissional – assunto para outra publicação.
Meu objetivo aqui não é ser saudosista. Até porque acho a praticidade de termos tudo a um clique muito conveniente. No entanto, há dias – como hoje – em que me pego pensando em como seria ficar muito tempo desconectado.
Consegue imaginar como seria ficar um mês inteiro sem ler alguma manchete, sem ver algum vídeo ou sem ler qualquer comentário nas redes sociais?
Vivemos tão excessivamente conectados que cogitar essa hipótese parece até inviável. Afinal, como realizar um pagamento sem lançar mão do celular? Como assistir televisão sem comentar nas redes o que acabou de passar na telinha? Como combinar um passeio no fim de semana se os amigos se recusam a atender uma ligação?
Tudo isso sempre foi possível na era analógica sem grandes problemas.
Pagamento? Só em dinheiro vivo.
Comentar o que aconteceu na TV? A gente ficava elaborando todos os argumentos e guardava todas as melhores observações para compartilhar na roda de conversa que se formaria na escola.
Combinar um passeio? Me vejo facilmente pendurado no telefone fixo – aquele com fio encaracolado e teclado para discar.
A era analógica tinha seu charme (ou seria encanto?). Era mais difícil seu chefe lhe importunar no fim de semana, cobrando aquele relatório que deveria ser entregue na segunda-feira. Encontrar os amigos na balada só depois de combinar previamente; e chegar a um local desconhecido exigia um jogo de cintura que só nós millennials aprendemos a ter.
Essa nostalgia bate por alguns poucos minutos, mas logo passa. Afinal, o passado é referência; e o futuro a Deus pertence.
Vou ficando por aqui. Preciso ir. Tenho 13 notificações não respondidas no WhatsApp…